
domingo, 6 de abril de 2008
Cia. Brasilienses de Teatro apresenta:
Irmã Teodora e as Desventuras do Cavaleiro Agilulfo
Baseado no romance "O Cavaleiro Inexistente" de Ítalo Calvino
Espetáculo contemplado pelo Prêmio Funarte de Teatro Myriam Muniz-2007
"...a arte de escrever histórias consiste em saber extrair daquele nada que se entendeu da vida, o todo. Concluída a pagina, retoma-se a vida, e nos damos conta de que aquilo que sabíamos era realmente nada." (Irmã Teodora).
Dramaturgia e Direção: James Fensterseifer / Ass. de Direção: Paola Molinari / Iluminação: Marcelo Augusto / Trilha Sonora Original: Marcello Linhos / Cenografia e Adereços: Guto Viscardi / Figurinos e Maquiagem: Marcus Barozzi e Rubens Fontes. / Elenco: Cirila Targhetta, João Rafael, Luciana Martucheli, Rômulo Augusto, Similião Aurélio, Simone Marcelo e Túlio Starling.
O espetáculo narra a história do obstinado cavaleiro Agilulfo, paladino da França, modelo de soldado que serve ao rei Carlos Magno com força de vontade e fé na santa causa e que de embaraço carrega somente o fato de não existir.
A trama não se resume ao fato de Agilulfo não existir. Mesclando leveza e profundidade, humor e melancolia, reflexão e ironia, o texto tira proveito dessa idéia bastante singular para trabalhar a questão do que é ser. A armadura branca, brilhante, que abriga apenas uma voz, compõe um cavaleiro em busca da afirmação de sua existência.
A peça, que faz parte do projeto de pesquisa da companhia - "Palco Para Nossos Antepassados", aprofunda a discussão filosófica sobre o homem contemporâneo e faz uma reflexão metaficcional acerca da escrita, por meio da personagem narradora: Irmã Teodora. Freira em seu claustro, ela cria as desventuras de Agilulfo e questiona a si mesma o ato de escrever, indagando: até que ponto é possível encontrar um sentido para a literatura a não ser fora dela?
Para contar as desventuras de Agilulfo, irmã Teodora traz à cena outros personagens que, de formas diversas, influenciam na compreensão do espetáculo. O enigmático cavaleiro Torrismundo, a brava guerreira Bradamante, o aspirante a cavaleiro Rambaldo, o atrapalhado escudeiro Gurdulu, além de um hilário e senil Rei Carlos Magno, permeiam o enredo, enriquecendo a história. Trata-se de uma espécie de romance de cavalaria às avessas, com um tom de comédia-pastelão, onde o público transita com esses personagens admiráveis por várias situações fantásticas.
Sala Loyola / Centro Cultural de Brasília (601 Norte / Fone 3426 0400)
De 18 de Abril a 04 de Maio de 2008 / Sextas e sábados às 21h e domingos às 20h
Sinopse: Narrada pela Irmã Teodora, a peça mostra as desventuras do cavaleiro Agilulfo, que, mesmo sem existir, rege uma cavalaria do exército de Carlos Magno e, por este, é impelido a empreender uma viagem com o propósito de limpar certas difamações que colocaram em risco o seu título de nobre cavaleiro. Seguido por Bradamante (uma guerreira perdidamente apaixonada por ele), pelo jovem combatente Rambaldo (apaixonado por Bradamente), pelo seu confuso escudeiro Gurdulu e ainda cruzando caminhos com Torrismundo (seu difamador), Agilulfo aventura-se em uma demanda que o conduz à descoberta da sua existência no mundo. Este cavaleiro exemplar, apesar de inexistir, acaba por dar sentido à existência vulgar dos que o cercam.
Trecho do texto: Agilulfo – (para platéia) À noite, depois de tudo regulado, os turnos de guarda, o oficial de sentinela, as patrulhas, começa meu turno. O turno do silêncio. Todo o resto, a perpétua confusão do exército em guerra, a esta hora silencia. O sono venceu a todos! Os guerreiros finalmente livres dos elmos e das couraças, satisfeitos por se tornarem seres humanos distintos e inconfundíveis, aqui estão: todos roncando em uníssono, os dedões apontando para cima: dormem... (pausa) O reino dos corpos, uma exposição da velha carne de Adão, cheirando ao vinho bebido e ao suor da jornada das lutas. No umbral dos pavilhões jazem decompostas armaduras vazias... (para si) Esses corpos dão-me um mal estar. Esses meus colegas, esses afamados paladinos, o que são? A armadura, o testemunho de seu grau e nome, as façanhas executadas, a potência o valor: ei-las reduzidas a um invólucro, a uma ferragem vazia...
Mais informações:
Palco Para Nossos Antepassados
Tendo constantemente concretizado criações experimentadas na transposição da literatura clássica para o palco, a Cia. Brasilienses de Teatro apresenta, por meio de uma linguagem que já lhe é própria, uma autonomia narrativa e gestual em seus espetáculos. O literário acaba se configurando em pretexto para o revigoramento de outra forma expressiva, desencadeando uma livre experimentação em múltiplos planos teatrais, desarmando o fluxo narrativo do original (romance) e alinhavando um imaginário coletivo.
A trilogia "Os nossos antepassados", do emblemático escritor Ítalo Calvino, é fio condutor de nossa pesquisa, "Palco para nossos antepassados". Escrita ao longo da década de 50 e constituída dos títulos "O visconde partido ao meio", "O barão nas árvores" e "O cavaleiro inexistente", a trilogia tem como tema principal a luta do homem por manter sua identidade para além das mutilações impostas pela sociedade.
A companhia iniciou seu trabalho de pesquisa na obra Calviniana com o espetáculo "Cosme trepado", que teve sua dramaturgia e linguagem cênica baseadas no texto de "O barão nas árvores". A pesquisa, que culminou na montagem do espetáculo citado no ano de 2001, impulsionou o grupo a dar um importante passo na compreensão desta árvore genealógica do homem contemporâneo que é a obra de Calvino.
Com a encenação de "Irmã Teodora e as desventuras do cavaleiro Agilulfo" os "Brasilienses de Teatro" retomam e ampliam esta pesquisa dramatúrgica, consolidando a linguagem cênica que vem desenvolvendo nos últimos seis anos.
Cia. Brasilienses de Teatro
Cia. Brasilienses de Teatro é a alcunha pela qual respondem um grupo de artistas das artes cênicas que começaram a desenvolver um trabalho conjunto em 2001. Em sua trajetória, os Brasilienses de Teatro representaram doze espetáculos teatrais, dos quais podemos destacar: Colóquio Dentro de Um Ser, adaptado do texto homônimo de Paul Valéry e do romance A Metamorfose de Franz Kafka, realizado em 2001 no Centro Cultural Banco do Brasil, na Sala Martins Penna do TNCS e no FILO – Festival Internacional de Londrina; Cosme Trepado, adaptação do romance O Barão nas Árvores de Ítalo Calvino, realizado em 2001 no Espaço Cultural Renato Russo - Teatro Galpão; A Culpa é Minha, adaptação do romance A Hora da Estrela de Clarice Lispector, realizado em 2003 no Teatro da CAIXA e na Sala Martins Penna do TNCS; Cinco Minutos, baseado na novela Uma Criatura Dócil de Fiodor Dostoievski, realizado em 2005 no Teatro da CAIXA, no Teatro Caleidoscópio, no CCB - Sala Loyola e no 12º. Porto Alegre em Cena; Aquela Peça de Shakespeare, adaptação de Macbeth de William Shakespeare, realizada em 2005 no CCB - Sala Loyola e em 2006 na Casa D´Ítália - Teatro Goldoni; Idiota Cada Vez Mais, adaptação do romance Como me Tornei Estúpido de Martin Page, realizada em 2006 no CCB - Sala Loyola; e Eu, O Tentador, compilagem de textos - dramaturgia James Fensterseifer e Adriano Sommer, realizado em 2007 na Casa D´Ítália - Sala Adolfo Celi.
Baseado no romance "O Cavaleiro Inexistente" de Ítalo Calvino
Espetáculo contemplado pelo Prêmio Funarte de Teatro Myriam Muniz-2007
"...a arte de escrever histórias consiste em saber extrair daquele nada que se entendeu da vida, o todo. Concluída a pagina, retoma-se a vida, e nos damos conta de que aquilo que sabíamos era realmente nada." (Irmã Teodora).
Dramaturgia e Direção: James Fensterseifer / Ass. de Direção: Paola Molinari / Iluminação: Marcelo Augusto / Trilha Sonora Original: Marcello Linhos / Cenografia e Adereços: Guto Viscardi / Figurinos e Maquiagem: Marcus Barozzi e Rubens Fontes. / Elenco: Cirila Targhetta, João Rafael, Luciana Martucheli, Rômulo Augusto, Similião Aurélio, Simone Marcelo e Túlio Starling.
O espetáculo narra a história do obstinado cavaleiro Agilulfo, paladino da França, modelo de soldado que serve ao rei Carlos Magno com força de vontade e fé na santa causa e que de embaraço carrega somente o fato de não existir.
A trama não se resume ao fato de Agilulfo não existir. Mesclando leveza e profundidade, humor e melancolia, reflexão e ironia, o texto tira proveito dessa idéia bastante singular para trabalhar a questão do que é ser. A armadura branca, brilhante, que abriga apenas uma voz, compõe um cavaleiro em busca da afirmação de sua existência.
A peça, que faz parte do projeto de pesquisa da companhia - "Palco Para Nossos Antepassados", aprofunda a discussão filosófica sobre o homem contemporâneo e faz uma reflexão metaficcional acerca da escrita, por meio da personagem narradora: Irmã Teodora. Freira em seu claustro, ela cria as desventuras de Agilulfo e questiona a si mesma o ato de escrever, indagando: até que ponto é possível encontrar um sentido para a literatura a não ser fora dela?
Para contar as desventuras de Agilulfo, irmã Teodora traz à cena outros personagens que, de formas diversas, influenciam na compreensão do espetáculo. O enigmático cavaleiro Torrismundo, a brava guerreira Bradamante, o aspirante a cavaleiro Rambaldo, o atrapalhado escudeiro Gurdulu, além de um hilário e senil Rei Carlos Magno, permeiam o enredo, enriquecendo a história. Trata-se de uma espécie de romance de cavalaria às avessas, com um tom de comédia-pastelão, onde o público transita com esses personagens admiráveis por várias situações fantásticas.
Sala Loyola / Centro Cultural de Brasília (601 Norte / Fone 3426 0400)
De 18 de Abril a 04 de Maio de 2008 / Sextas e sábados às 21h e domingos às 20h
Sinopse: Narrada pela Irmã Teodora, a peça mostra as desventuras do cavaleiro Agilulfo, que, mesmo sem existir, rege uma cavalaria do exército de Carlos Magno e, por este, é impelido a empreender uma viagem com o propósito de limpar certas difamações que colocaram em risco o seu título de nobre cavaleiro. Seguido por Bradamante (uma guerreira perdidamente apaixonada por ele), pelo jovem combatente Rambaldo (apaixonado por Bradamente), pelo seu confuso escudeiro Gurdulu e ainda cruzando caminhos com Torrismundo (seu difamador), Agilulfo aventura-se em uma demanda que o conduz à descoberta da sua existência no mundo. Este cavaleiro exemplar, apesar de inexistir, acaba por dar sentido à existência vulgar dos que o cercam.
Trecho do texto: Agilulfo – (para platéia) À noite, depois de tudo regulado, os turnos de guarda, o oficial de sentinela, as patrulhas, começa meu turno. O turno do silêncio. Todo o resto, a perpétua confusão do exército em guerra, a esta hora silencia. O sono venceu a todos! Os guerreiros finalmente livres dos elmos e das couraças, satisfeitos por se tornarem seres humanos distintos e inconfundíveis, aqui estão: todos roncando em uníssono, os dedões apontando para cima: dormem... (pausa) O reino dos corpos, uma exposição da velha carne de Adão, cheirando ao vinho bebido e ao suor da jornada das lutas. No umbral dos pavilhões jazem decompostas armaduras vazias... (para si) Esses corpos dão-me um mal estar. Esses meus colegas, esses afamados paladinos, o que são? A armadura, o testemunho de seu grau e nome, as façanhas executadas, a potência o valor: ei-las reduzidas a um invólucro, a uma ferragem vazia...
Mais informações:
Palco Para Nossos Antepassados
Tendo constantemente concretizado criações experimentadas na transposição da literatura clássica para o palco, a Cia. Brasilienses de Teatro apresenta, por meio de uma linguagem que já lhe é própria, uma autonomia narrativa e gestual em seus espetáculos. O literário acaba se configurando em pretexto para o revigoramento de outra forma expressiva, desencadeando uma livre experimentação em múltiplos planos teatrais, desarmando o fluxo narrativo do original (romance) e alinhavando um imaginário coletivo.
A trilogia "Os nossos antepassados", do emblemático escritor Ítalo Calvino, é fio condutor de nossa pesquisa, "Palco para nossos antepassados". Escrita ao longo da década de 50 e constituída dos títulos "O visconde partido ao meio", "O barão nas árvores" e "O cavaleiro inexistente", a trilogia tem como tema principal a luta do homem por manter sua identidade para além das mutilações impostas pela sociedade.
A companhia iniciou seu trabalho de pesquisa na obra Calviniana com o espetáculo "Cosme trepado", que teve sua dramaturgia e linguagem cênica baseadas no texto de "O barão nas árvores". A pesquisa, que culminou na montagem do espetáculo citado no ano de 2001, impulsionou o grupo a dar um importante passo na compreensão desta árvore genealógica do homem contemporâneo que é a obra de Calvino.
Com a encenação de "Irmã Teodora e as desventuras do cavaleiro Agilulfo" os "Brasilienses de Teatro" retomam e ampliam esta pesquisa dramatúrgica, consolidando a linguagem cênica que vem desenvolvendo nos últimos seis anos.
Cia. Brasilienses de Teatro
Cia. Brasilienses de Teatro é a alcunha pela qual respondem um grupo de artistas das artes cênicas que começaram a desenvolver um trabalho conjunto em 2001. Em sua trajetória, os Brasilienses de Teatro representaram doze espetáculos teatrais, dos quais podemos destacar: Colóquio Dentro de Um Ser, adaptado do texto homônimo de Paul Valéry e do romance A Metamorfose de Franz Kafka, realizado em 2001 no Centro Cultural Banco do Brasil, na Sala Martins Penna do TNCS e no FILO – Festival Internacional de Londrina; Cosme Trepado, adaptação do romance O Barão nas Árvores de Ítalo Calvino, realizado em 2001 no Espaço Cultural Renato Russo - Teatro Galpão; A Culpa é Minha, adaptação do romance A Hora da Estrela de Clarice Lispector, realizado em 2003 no Teatro da CAIXA e na Sala Martins Penna do TNCS; Cinco Minutos, baseado na novela Uma Criatura Dócil de Fiodor Dostoievski, realizado em 2005 no Teatro da CAIXA, no Teatro Caleidoscópio, no CCB - Sala Loyola e no 12º. Porto Alegre em Cena; Aquela Peça de Shakespeare, adaptação de Macbeth de William Shakespeare, realizada em 2005 no CCB - Sala Loyola e em 2006 na Casa D´Ítália - Teatro Goldoni; Idiota Cada Vez Mais, adaptação do romance Como me Tornei Estúpido de Martin Page, realizada em 2006 no CCB - Sala Loyola; e Eu, O Tentador, compilagem de textos - dramaturgia James Fensterseifer e Adriano Sommer, realizado em 2007 na Casa D´Ítália - Sala Adolfo Celi.
Assinar:
Postagens (Atom)