Faroeste Caboclo Cinema

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Foto de divulgação de Faroeste Caboclo. Direção de René Sampaio

sábado, 24 de outubro de 2009

Araguaya A Conspiração do Silêncio

No filme sou o guerrilheiro Siro Flávio, O que aparece lançando o Coquetel Molotov (gravado em 2002)

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

CHIFRE IMAGINÁRIO

Chifre Imaginário

Quando adentrei aquela sala pela primeira vez senti algo que se interrompia no ambiente. Uma sensação de pausa. Ninguém demonstrou nada, nem um desvio de olhar, nenhuma gaveta se fechou, nada de anormal, nem um acelerar de movimentos, era dentro de mim essa impressão.

Fiquei calado durante os três primeiros dias de trabalho e todos falando o tempo todo. Conversas variadas e sem importância, que em geral serviam apenas para me irritar e desconcentrar. Quando a conversa era de trabalho eu murmurava alto para demonstrar que estava atento e disposto a aprender. Mas em geral era só fofoca e conversa inútil sobre cremes, celulites e novelas. Muita mulher reunida, sabe como é!
Uma vez divaguei em meio ao atropelo da conversa, que se eu jogasse milho no meio da sala ia ser uma briga de mulheres famintas como galinhas ágeis lutando por uma minhoca só e voariam penas por toda a sala.
Numa manhã de céu azul brilhante coisa bem comum na minha cidade, alguém me perguntou se eu era casado. Essa pergunta veio meio solta, totalmente descontextualizada. Respondi prontamente que sim, mas lembrei que na verdade eu havia apenas me juntado com ela e não propriamente casado, o que dava na mesma para mim. Acho que também para a sociedade civil dava na mesma, pois já tínhamos filhos e há um tempão morávamos sobre o mesmo teto, o que caracterizava uma união estável. Há uns dez anos atrás eu responderia com um palavrão: Amasiado ou o que é pior amancebado, e uma dessas palavras resumiria tudo.
Pensei tudo isso no tempo de dizer: sou.
Depois dessa conversa rápida fiquei calado pensando porquê alguém perguntaria isso sem mais nem menos. Se fosse mulher tava explicado, mulher é bicho curioso. Elas sempre ficam interessadas em questões irrelevantes e privadas, mas era homem o entrevistador. Porque um cara com aquele bigodão tava interessado se o outro cara era casado? Será que é viado? Se for é normal e até bom para mim! Digo isso porque desde muito novo eu tenho uma teoria que diz que quanto mais viado e mulher houver no mundo tanto melhor para mim que sou homem. Acho que não preciso explicar essa teoria complexa. Ou preciso?
Sempre vou de carro com ela para o trabalho e quase nunca ela me apanha na volta, assim, costumo voltar para casa de metrô. Chego quase sempre antes dela em casa, o que muito me agrada, pois ficar sem ninguém em casa significa paz. Nada de crianças ou reclamações.
Minha mulher não pode me ver parado, sentado, lendo ou em qualquer outro estado vegetativo que ela logo me pede para fazer algo, pegar alguma coisa ou me manda sair para comprar alguma porcaria caseira que está faltando.
Por vezes, em casa, ela me chama, eu saio da minha merecida inércia, vou até ela e ela fica pensando o que vai me pedir, na maioria das vezes ela diz que esqueceu o que tinha para falar, aí o palhaço, aqui. quando está quase sentando ela chama dizendo que lembrou e lá vou eu novamente me levantar como um boi atrás da vaca. Quando ela esta criativa me chama e inventa na hora alguma coisa para eu fazer. Não posso protestar com um palavrão ou coisa do gênero por causa das meninas que não podem ouvir um palavrão.
Eu, hoje em dia, obedeço sem protestos porque isso evita maiores problemas, como a falta de sexo no domingo ou num eventual dia extra. Tenho lembrado que vejo esse tipo de coisa na minha vida desde os tempos que eu era solteiro e morava com minha mãe. Com o pobre do meu pai acontecia a mesma coisa. Minha mãe tem com ele a mesma mania da minha querida esposa. E meu pai, igual a mim age como um boi atrás da vaca.
Só para ilustrar eu vivi a minha infância sendo oprimido por três irmãs e uma mãe e hoje tenho uma esposa e duas filhas. Acho que isso contextualiza um pouco a dor e o prazer do meu cotidiano, ou melhor, da minha vida de homem.
Vamos ao fato principal. Teve uma sexta-feira que cheguei atrasado no trabalho, pois ela se atrasou com a maquiagem ou algo assim, e ao descer do carro na porta do trabalho senti que alguém nos observava da janela da sala. Vi ao sair do carro um bigode reluzente que brilhava na janela. Era o bigodudo que queria saber se eu era casado. Quando entrei todos estavam sentados, menos o bigode que não estava na sala nem na janela. Sentei-me e fiquei um pouco desconfiado. Passaram dez segundo e o bigode não voltou, aí corri para a janela e vi o carro dela sair arrancando. Porque ela demorou a sair da frente do prédio? Cadê o Bigode? Voltei a me sentar e fiquei ligando fatos por uns dez segundos até que entra o Bigode com um sorriso estampado por baixo que reluzia em minhas retinas. Fiquei fortemente abalado. Corri para o banheiro e sem poder segurar vomitei todo o café da manhã. Voltei para a mesa e encarei o bigodão que volta e meia, com um sorriso de satisfação estampado, me olhava em tom cínico.
Resolvi pedir dispensa do dia de trabalho para ir ao médico, pois não estava bem. Saí do prédio e me senti bem, livre, quase solteiro e quase corno. Peguei o metrô sem pensar em nenhuma estação para descer e segui pensando nos dois trepando com muita velocidade e volúpia. Imaginava o bigodão arranhando seu lábio inferior, seu pescoçinho. O bigode em sua vulva... Fiquei um pouco excitado e revoltado com a imagem que me veio à cabeça. Desci na próxima estação, entrei em um prédio comercial que possuía uma confortável recepção, não observei onde estava, só sentei e fechei os olhos passando a chorar compulsivamente, mas discretamente. Abri os olhos e percebi que a maioria dos homens da cidade eram bigodudos. Passei a ver bigodes até nas mulheres que passavam, o bigode agora era um ponto de concentração. Relaxei um pouco e parei de chorar, pensando em deixar crescer um super bigode em mim. Comecei a compreender como um bigodudo se sente, o prazer que se pode tirar de um bigode. Ainda não consegui entender que prazer ela tinha com aquele bigodão.
Voltei para casa e dormi até ela chegar em casa com as crianças. Ela adentrou a casa e eu senti um frio na barriga fulminante e uma vontade de agarrá-la ali naquela hora e comê-la com muita vontade. Compreendi que a amava ainda mais que antes e mais a cada dia. Tentei encassapá-la durante a noite e ela não queria de jeito nenhum. Desisti dela e fui para o banheiro me alto flagelar pensando em outras mulheres, mas só vinha ela e o bigodudo nas imagens, gozei fortemente e me achando realmente um chifrudo e o que é pior gostando de ser.
A barba foi crescendo com o passar do final de semana e quando fui tomar banho na segunda-feira pela manhã raspei tudo deixando apenas um vistoso bigode. Quando encarei minha mulher ela começou a rir sadicamente e como quem joga água fria numa fogueira ela disse que eu estava ridículo e que era melhor eu raspar aquilo se eu quisesse comê-la novamente algum dia.
Fui para o trabalho adorando o visual novo e com a certeza que nunca mais eu furaria a minha esposa novamente. Entrei na sala e senti que todos me olharam por causa do bigode. Uns comentaram, outros se seguraram para não rir e o bigodudo não havia chegado. Esperei ansiosamente meu adversário por horas e nada do monstro bigodudo chegar. Passou o dia lentamente e meu bigode agora era o único da sala a reluzir como espada na mão de um bárbaro.
Quando a manhã já chegava ao fim um telefonema avisa que o Senhor Eustáquio havia sido assassinado em seu apartamento e que provavelmente era um crime passional comum, coisa de viado que se arrisca a transar com prostitutos de rua. O Bigodudo foi morto. Voltei para casa na hora do almoço, corri para o banheiro e raspei aquele bigodão ridículo. Os pêlos caíam na pia lentamente e eu sentia um alívio, como se tirasse um peso da minha testa.

Rômulo Augusto
12/08/2005

quinta-feira, 18 de junho de 2009

COM QUE ROUPA?

Grupo dos Homens
apresenta o espetáculo inédito Com que roupa?
A segunda montagem do grupo fica em cartaz sempre aos sábados de julho, agosto e setembro, no Cafetina Bar Cultural Um grupo de dez homens atores e não atores, instigados pelo processo criativo a partir de discussões semanais sobre a “condição” masculina. Também, sobre as virtudes e as mazelas que nos constituem como sujeitos do nosso tempo. Trata-se de um fórum de reflexão sobre subjetividades, que partem da diversidade de olhares que instituiu o grupo – extrato social, faixa etária, profissão – mas que desloca o olhar a partir de leituras que decidem debater. A Filosofia, a História, a Psicologia, a Psicanálise, entre outras, são as fontes de compreensão, nutrição temática e de conteúdo, para o diálogo no grupo e deste com o público. A partir das vivências de cada sujeito do Grupo dos Homens, foi elaborado um acontecimento cênico sob o conceito da dramaturgia aberta (com intervenções espontâneas da platéia). Para isso, foi criado um ambiente de encontro e interação das subjetividades dos atores e da platéia. Através de jogos cênicos e textos pessoais e improvisados, são oferecidos serviços de bar e teatro. Em Com que roupa?, oito sujeitos em cena contam suas histórias. Sabemos como a peca começa, mas a partir da relação que se estabelece com a platéia, concretiza-se um ambiente de risco, tensão, ruptura e mudança dos elementos dramáticos, ou seja, uma nova produção de sentidos. Teatro-bar Uma pesquisa com elementos da linguagem cênica dá as bases para a proposta de um espetáculo ambientado num bar onde os integrantes do grupo desempenham múltiplos papéis: sujeitos de suas histórias, atores ou garçons, que podem também sentar-se à mesa e conversar livremente com a platéia. O espetáculo Com que roupa? dá continuidade a uma experiência iniciada em fevereiro de 2005, que resultou no espetáculo Casa de Bonecas – Servido por Homens (novembro de 2006 - Espaço Cena e março de 2007 - Cooperativa de Atores). Casa de Bonecas confirmou a pertinência da proposta de dramaturgia aberta, incluindo a platéia, oferecendo-lhe espaço de voz, gerando novas temáticas, presentes no cotidiano como sexualidade, gênero, relações humanas e cultura. A segunda fase é também marcada pelo objetivo de montar um espetáculo, ao contrário da primeira fase. Com que roupa? parte da idéia do mal-estar colocada por Freud em seu clássico livro O mal-estar na civilização. No texto de 1929, o pai da psicanálise expõe a contradição do homem na busca pela felicidade na modernidade. “A civilização está obedecendo às leis da necessidade econômica, visto que uma grande quantidade de energia psíquica que ela utiliza para seus próprios fins tem de ser retirada da sexualidade” (FREUD, 1929, p. 125). O psicanalista brasileiro Joel Birman retoma o texto de Freud em O mal-estar na atualidade (2001). Uma das questões colocadas por Birman neste livro são as novas formas de subjetivação. A individualização, as drogas e a violência, temas abordados, provocaram no Grupo uma reflexão sobre o não cabimento, e o desconforto diante da pós-modernidade. São esses aspectos das novas regras impostas pelas condições socioeconômicas e culturais que o Grupo pretende investigar, expor e compartilhar com o público neste novo trabalho.
Elenco
José Delvinei Santos, Márcio Menezes, Adriano César Souza, André Togni, Luciano Campos Marques, Rômulo Augusto, Leonardo Hernandes e André Godoy MúsicaAndré Togni e Luciano Campos Marques
Serviço Com que roupa?
Local: Cafetina Bar Cultural - SCRN 712 bloco G loja 27 (em frente à W3 Norte)
Dias: 4, 11, 18 e 25 de julho, 1, 8, 15, 22 e 29 de agosto e 5, 12, 19 e 26 de setembro.
Ingresso: R$ 10,00
Contato para entrevistas: Marcio Menezes (61) 8134-7715 Delvinei (61) 7812-3428 Lupa Marques (61) 8422-7992
Classificação indicativa: 18 anos
Informações e reservas: 3045 6160/ 7814 8786

Assessoria de Imprensa
Amanda Guerra e Luis Flávio Luz amandaguerra@guadalupecomunicacoes.com.br luisluz@globo.com(21) 7868-6006 (61) 8484-3390 (61) 7815-5472ID 97*1912 e ID 97*1913