
domingo, 6 de abril de 2008
Cia. Brasilienses de Teatro apresenta:
Irmã Teodora e as Desventuras do Cavaleiro Agilulfo
Baseado no romance "O Cavaleiro Inexistente" de Ítalo Calvino
Espetáculo contemplado pelo Prêmio Funarte de Teatro Myriam Muniz-2007
"...a arte de escrever histórias consiste em saber extrair daquele nada que se entendeu da vida, o todo. Concluída a pagina, retoma-se a vida, e nos damos conta de que aquilo que sabíamos era realmente nada." (Irmã Teodora).
Dramaturgia e Direção: James Fensterseifer / Ass. de Direção: Paola Molinari / Iluminação: Marcelo Augusto / Trilha Sonora Original: Marcello Linhos / Cenografia e Adereços: Guto Viscardi / Figurinos e Maquiagem: Marcus Barozzi e Rubens Fontes. / Elenco: Cirila Targhetta, João Rafael, Luciana Martucheli, Rômulo Augusto, Similião Aurélio, Simone Marcelo e Túlio Starling.
O espetáculo narra a história do obstinado cavaleiro Agilulfo, paladino da França, modelo de soldado que serve ao rei Carlos Magno com força de vontade e fé na santa causa e que de embaraço carrega somente o fato de não existir.
A trama não se resume ao fato de Agilulfo não existir. Mesclando leveza e profundidade, humor e melancolia, reflexão e ironia, o texto tira proveito dessa idéia bastante singular para trabalhar a questão do que é ser. A armadura branca, brilhante, que abriga apenas uma voz, compõe um cavaleiro em busca da afirmação de sua existência.
A peça, que faz parte do projeto de pesquisa da companhia - "Palco Para Nossos Antepassados", aprofunda a discussão filosófica sobre o homem contemporâneo e faz uma reflexão metaficcional acerca da escrita, por meio da personagem narradora: Irmã Teodora. Freira em seu claustro, ela cria as desventuras de Agilulfo e questiona a si mesma o ato de escrever, indagando: até que ponto é possível encontrar um sentido para a literatura a não ser fora dela?
Para contar as desventuras de Agilulfo, irmã Teodora traz à cena outros personagens que, de formas diversas, influenciam na compreensão do espetáculo. O enigmático cavaleiro Torrismundo, a brava guerreira Bradamante, o aspirante a cavaleiro Rambaldo, o atrapalhado escudeiro Gurdulu, além de um hilário e senil Rei Carlos Magno, permeiam o enredo, enriquecendo a história. Trata-se de uma espécie de romance de cavalaria às avessas, com um tom de comédia-pastelão, onde o público transita com esses personagens admiráveis por várias situações fantásticas.
Sala Loyola / Centro Cultural de Brasília (601 Norte / Fone 3426 0400)
De 18 de Abril a 04 de Maio de 2008 / Sextas e sábados às 21h e domingos às 20h
Sinopse: Narrada pela Irmã Teodora, a peça mostra as desventuras do cavaleiro Agilulfo, que, mesmo sem existir, rege uma cavalaria do exército de Carlos Magno e, por este, é impelido a empreender uma viagem com o propósito de limpar certas difamações que colocaram em risco o seu título de nobre cavaleiro. Seguido por Bradamante (uma guerreira perdidamente apaixonada por ele), pelo jovem combatente Rambaldo (apaixonado por Bradamente), pelo seu confuso escudeiro Gurdulu e ainda cruzando caminhos com Torrismundo (seu difamador), Agilulfo aventura-se em uma demanda que o conduz à descoberta da sua existência no mundo. Este cavaleiro exemplar, apesar de inexistir, acaba por dar sentido à existência vulgar dos que o cercam.
Trecho do texto: Agilulfo – (para platéia) À noite, depois de tudo regulado, os turnos de guarda, o oficial de sentinela, as patrulhas, começa meu turno. O turno do silêncio. Todo o resto, a perpétua confusão do exército em guerra, a esta hora silencia. O sono venceu a todos! Os guerreiros finalmente livres dos elmos e das couraças, satisfeitos por se tornarem seres humanos distintos e inconfundíveis, aqui estão: todos roncando em uníssono, os dedões apontando para cima: dormem... (pausa) O reino dos corpos, uma exposição da velha carne de Adão, cheirando ao vinho bebido e ao suor da jornada das lutas. No umbral dos pavilhões jazem decompostas armaduras vazias... (para si) Esses corpos dão-me um mal estar. Esses meus colegas, esses afamados paladinos, o que são? A armadura, o testemunho de seu grau e nome, as façanhas executadas, a potência o valor: ei-las reduzidas a um invólucro, a uma ferragem vazia...
Mais informações:
Palco Para Nossos Antepassados
Tendo constantemente concretizado criações experimentadas na transposição da literatura clássica para o palco, a Cia. Brasilienses de Teatro apresenta, por meio de uma linguagem que já lhe é própria, uma autonomia narrativa e gestual em seus espetáculos. O literário acaba se configurando em pretexto para o revigoramento de outra forma expressiva, desencadeando uma livre experimentação em múltiplos planos teatrais, desarmando o fluxo narrativo do original (romance) e alinhavando um imaginário coletivo.
A trilogia "Os nossos antepassados", do emblemático escritor Ítalo Calvino, é fio condutor de nossa pesquisa, "Palco para nossos antepassados". Escrita ao longo da década de 50 e constituída dos títulos "O visconde partido ao meio", "O barão nas árvores" e "O cavaleiro inexistente", a trilogia tem como tema principal a luta do homem por manter sua identidade para além das mutilações impostas pela sociedade.
A companhia iniciou seu trabalho de pesquisa na obra Calviniana com o espetáculo "Cosme trepado", que teve sua dramaturgia e linguagem cênica baseadas no texto de "O barão nas árvores". A pesquisa, que culminou na montagem do espetáculo citado no ano de 2001, impulsionou o grupo a dar um importante passo na compreensão desta árvore genealógica do homem contemporâneo que é a obra de Calvino.
Com a encenação de "Irmã Teodora e as desventuras do cavaleiro Agilulfo" os "Brasilienses de Teatro" retomam e ampliam esta pesquisa dramatúrgica, consolidando a linguagem cênica que vem desenvolvendo nos últimos seis anos.
Cia. Brasilienses de Teatro
Cia. Brasilienses de Teatro é a alcunha pela qual respondem um grupo de artistas das artes cênicas que começaram a desenvolver um trabalho conjunto em 2001. Em sua trajetória, os Brasilienses de Teatro representaram doze espetáculos teatrais, dos quais podemos destacar: Colóquio Dentro de Um Ser, adaptado do texto homônimo de Paul Valéry e do romance A Metamorfose de Franz Kafka, realizado em 2001 no Centro Cultural Banco do Brasil, na Sala Martins Penna do TNCS e no FILO – Festival Internacional de Londrina; Cosme Trepado, adaptação do romance O Barão nas Árvores de Ítalo Calvino, realizado em 2001 no Espaço Cultural Renato Russo - Teatro Galpão; A Culpa é Minha, adaptação do romance A Hora da Estrela de Clarice Lispector, realizado em 2003 no Teatro da CAIXA e na Sala Martins Penna do TNCS; Cinco Minutos, baseado na novela Uma Criatura Dócil de Fiodor Dostoievski, realizado em 2005 no Teatro da CAIXA, no Teatro Caleidoscópio, no CCB - Sala Loyola e no 12º. Porto Alegre em Cena; Aquela Peça de Shakespeare, adaptação de Macbeth de William Shakespeare, realizada em 2005 no CCB - Sala Loyola e em 2006 na Casa D´Ítália - Teatro Goldoni; Idiota Cada Vez Mais, adaptação do romance Como me Tornei Estúpido de Martin Page, realizada em 2006 no CCB - Sala Loyola; e Eu, O Tentador, compilagem de textos - dramaturgia James Fensterseifer e Adriano Sommer, realizado em 2007 na Casa D´Ítália - Sala Adolfo Celi.
Baseado no romance "O Cavaleiro Inexistente" de Ítalo Calvino
Espetáculo contemplado pelo Prêmio Funarte de Teatro Myriam Muniz-2007
"...a arte de escrever histórias consiste em saber extrair daquele nada que se entendeu da vida, o todo. Concluída a pagina, retoma-se a vida, e nos damos conta de que aquilo que sabíamos era realmente nada." (Irmã Teodora).
Dramaturgia e Direção: James Fensterseifer / Ass. de Direção: Paola Molinari / Iluminação: Marcelo Augusto / Trilha Sonora Original: Marcello Linhos / Cenografia e Adereços: Guto Viscardi / Figurinos e Maquiagem: Marcus Barozzi e Rubens Fontes. / Elenco: Cirila Targhetta, João Rafael, Luciana Martucheli, Rômulo Augusto, Similião Aurélio, Simone Marcelo e Túlio Starling.
O espetáculo narra a história do obstinado cavaleiro Agilulfo, paladino da França, modelo de soldado que serve ao rei Carlos Magno com força de vontade e fé na santa causa e que de embaraço carrega somente o fato de não existir.
A trama não se resume ao fato de Agilulfo não existir. Mesclando leveza e profundidade, humor e melancolia, reflexão e ironia, o texto tira proveito dessa idéia bastante singular para trabalhar a questão do que é ser. A armadura branca, brilhante, que abriga apenas uma voz, compõe um cavaleiro em busca da afirmação de sua existência.
A peça, que faz parte do projeto de pesquisa da companhia - "Palco Para Nossos Antepassados", aprofunda a discussão filosófica sobre o homem contemporâneo e faz uma reflexão metaficcional acerca da escrita, por meio da personagem narradora: Irmã Teodora. Freira em seu claustro, ela cria as desventuras de Agilulfo e questiona a si mesma o ato de escrever, indagando: até que ponto é possível encontrar um sentido para a literatura a não ser fora dela?
Para contar as desventuras de Agilulfo, irmã Teodora traz à cena outros personagens que, de formas diversas, influenciam na compreensão do espetáculo. O enigmático cavaleiro Torrismundo, a brava guerreira Bradamante, o aspirante a cavaleiro Rambaldo, o atrapalhado escudeiro Gurdulu, além de um hilário e senil Rei Carlos Magno, permeiam o enredo, enriquecendo a história. Trata-se de uma espécie de romance de cavalaria às avessas, com um tom de comédia-pastelão, onde o público transita com esses personagens admiráveis por várias situações fantásticas.
Sala Loyola / Centro Cultural de Brasília (601 Norte / Fone 3426 0400)
De 18 de Abril a 04 de Maio de 2008 / Sextas e sábados às 21h e domingos às 20h
Sinopse: Narrada pela Irmã Teodora, a peça mostra as desventuras do cavaleiro Agilulfo, que, mesmo sem existir, rege uma cavalaria do exército de Carlos Magno e, por este, é impelido a empreender uma viagem com o propósito de limpar certas difamações que colocaram em risco o seu título de nobre cavaleiro. Seguido por Bradamante (uma guerreira perdidamente apaixonada por ele), pelo jovem combatente Rambaldo (apaixonado por Bradamente), pelo seu confuso escudeiro Gurdulu e ainda cruzando caminhos com Torrismundo (seu difamador), Agilulfo aventura-se em uma demanda que o conduz à descoberta da sua existência no mundo. Este cavaleiro exemplar, apesar de inexistir, acaba por dar sentido à existência vulgar dos que o cercam.
Trecho do texto: Agilulfo – (para platéia) À noite, depois de tudo regulado, os turnos de guarda, o oficial de sentinela, as patrulhas, começa meu turno. O turno do silêncio. Todo o resto, a perpétua confusão do exército em guerra, a esta hora silencia. O sono venceu a todos! Os guerreiros finalmente livres dos elmos e das couraças, satisfeitos por se tornarem seres humanos distintos e inconfundíveis, aqui estão: todos roncando em uníssono, os dedões apontando para cima: dormem... (pausa) O reino dos corpos, uma exposição da velha carne de Adão, cheirando ao vinho bebido e ao suor da jornada das lutas. No umbral dos pavilhões jazem decompostas armaduras vazias... (para si) Esses corpos dão-me um mal estar. Esses meus colegas, esses afamados paladinos, o que são? A armadura, o testemunho de seu grau e nome, as façanhas executadas, a potência o valor: ei-las reduzidas a um invólucro, a uma ferragem vazia...
Mais informações:
Palco Para Nossos Antepassados
Tendo constantemente concretizado criações experimentadas na transposição da literatura clássica para o palco, a Cia. Brasilienses de Teatro apresenta, por meio de uma linguagem que já lhe é própria, uma autonomia narrativa e gestual em seus espetáculos. O literário acaba se configurando em pretexto para o revigoramento de outra forma expressiva, desencadeando uma livre experimentação em múltiplos planos teatrais, desarmando o fluxo narrativo do original (romance) e alinhavando um imaginário coletivo.
A trilogia "Os nossos antepassados", do emblemático escritor Ítalo Calvino, é fio condutor de nossa pesquisa, "Palco para nossos antepassados". Escrita ao longo da década de 50 e constituída dos títulos "O visconde partido ao meio", "O barão nas árvores" e "O cavaleiro inexistente", a trilogia tem como tema principal a luta do homem por manter sua identidade para além das mutilações impostas pela sociedade.
A companhia iniciou seu trabalho de pesquisa na obra Calviniana com o espetáculo "Cosme trepado", que teve sua dramaturgia e linguagem cênica baseadas no texto de "O barão nas árvores". A pesquisa, que culminou na montagem do espetáculo citado no ano de 2001, impulsionou o grupo a dar um importante passo na compreensão desta árvore genealógica do homem contemporâneo que é a obra de Calvino.
Com a encenação de "Irmã Teodora e as desventuras do cavaleiro Agilulfo" os "Brasilienses de Teatro" retomam e ampliam esta pesquisa dramatúrgica, consolidando a linguagem cênica que vem desenvolvendo nos últimos seis anos.
Cia. Brasilienses de Teatro
Cia. Brasilienses de Teatro é a alcunha pela qual respondem um grupo de artistas das artes cênicas que começaram a desenvolver um trabalho conjunto em 2001. Em sua trajetória, os Brasilienses de Teatro representaram doze espetáculos teatrais, dos quais podemos destacar: Colóquio Dentro de Um Ser, adaptado do texto homônimo de Paul Valéry e do romance A Metamorfose de Franz Kafka, realizado em 2001 no Centro Cultural Banco do Brasil, na Sala Martins Penna do TNCS e no FILO – Festival Internacional de Londrina; Cosme Trepado, adaptação do romance O Barão nas Árvores de Ítalo Calvino, realizado em 2001 no Espaço Cultural Renato Russo - Teatro Galpão; A Culpa é Minha, adaptação do romance A Hora da Estrela de Clarice Lispector, realizado em 2003 no Teatro da CAIXA e na Sala Martins Penna do TNCS; Cinco Minutos, baseado na novela Uma Criatura Dócil de Fiodor Dostoievski, realizado em 2005 no Teatro da CAIXA, no Teatro Caleidoscópio, no CCB - Sala Loyola e no 12º. Porto Alegre em Cena; Aquela Peça de Shakespeare, adaptação de Macbeth de William Shakespeare, realizada em 2005 no CCB - Sala Loyola e em 2006 na Casa D´Ítália - Teatro Goldoni; Idiota Cada Vez Mais, adaptação do romance Como me Tornei Estúpido de Martin Page, realizada em 2006 no CCB - Sala Loyola; e Eu, O Tentador, compilagem de textos - dramaturgia James Fensterseifer e Adriano Sommer, realizado em 2007 na Casa D´Ítália - Sala Adolfo Celi.
sábado, 15 de março de 2008
Um objeto
Imagem de um objeto
Fotografia da imagem de um objeto
Reprodução da fotografia da imagem de um objeto
Um clone
Imagem de um clone
Fotografia da imagem de um clone
Reprodução da fotografia da imagem de um clone
Cópia de cópias das reproduções de fotografias de umas imagens
E faremos cópias
E seremos sempre imitadores
Seremos sempre piratas
Nós os falsificadores
Imitaremos tudo
Imitaremos a graça
Imitaremos a desgraça
Imitaremos o delírio
Imitaremos o prazer
Imitaremos a dor
Imitaremos a vida
Seguiremos certos e certamente enganados
Somos sempre obra inacabada
Obra que não se copia
Rômulo 1990
Fotografia da imagem de um objeto
Reprodução da fotografia da imagem de um objeto
Um clone
Imagem de um clone
Fotografia da imagem de um clone
Reprodução da fotografia da imagem de um clone
Cópia de cópias das reproduções de fotografias de umas imagens
E faremos cópias
E seremos sempre imitadores
Seremos sempre piratas
Nós os falsificadores
Imitaremos tudo
Imitaremos a graça
Imitaremos a desgraça
Imitaremos o delírio
Imitaremos o prazer
Imitaremos a dor
Imitaremos a vida
Seguiremos certos e certamente enganados
Somos sempre obra inacabada
Obra que não se copia
Rômulo 1990
sexta-feira, 14 de março de 2008
PARAÍSO
Liguei fio por fio
Coloquei peça por peça
Ela me olhou
Pensei que ela me admirava
Armei um belo cenário
Tinha flores e amores
Na labuta comecei a emagrecer
O cenário ficou um pouco grande
Acabei por diminuí-lo
Precisava diminuí-lo cada vez mais
Emagrecia cada vez mais
Ninguém ligou
Tirei as flores
Depois tireis os amores
Desliguei fio por fio
Tirei peça por peça
Ela parou de olhar
Me pus a chorar
Nada fazia
Comecei a engordar
Engordei como um porco manso e velho
Cada vez menos útil
Me tornei inútil para mim mesmo
Resolvi não mais engordar
Parei de comer
Emagreci
Ossos
Pele
Morte
Caixão
Assim fedi como um porco manso e velho
Não me perfumaram
Me enterraram
Pensei que a morte seria confortante
Ela era inundante
Meu corpo estava repleto
Vermes brancos
Não paravam de me comer
Queria que fossem
Do meu paraíso
E não paravam de engordar
Eu não tinha mais tempo
Estava morto e podre
Estava no meu paraíso latino americano
Rômulo 1989
Coloquei peça por peça
Ela me olhou
Pensei que ela me admirava
Armei um belo cenário
Tinha flores e amores
Na labuta comecei a emagrecer
O cenário ficou um pouco grande
Acabei por diminuí-lo
Precisava diminuí-lo cada vez mais
Emagrecia cada vez mais
Ninguém ligou
Tirei as flores
Depois tireis os amores
Desliguei fio por fio
Tirei peça por peça
Ela parou de olhar
Me pus a chorar
Nada fazia
Comecei a engordar
Engordei como um porco manso e velho
Cada vez menos útil
Me tornei inútil para mim mesmo
Resolvi não mais engordar
Parei de comer
Emagreci
Ossos
Pele
Morte
Caixão
Assim fedi como um porco manso e velho
Não me perfumaram
Me enterraram
Pensei que a morte seria confortante
Ela era inundante
Meu corpo estava repleto
Vermes brancos
Não paravam de me comer
Queria que fossem
Do meu paraíso
E não paravam de engordar
Eu não tinha mais tempo
Estava morto e podre
Estava no meu paraíso latino americano
Rômulo 1989
Mulheres do cinema
As mulheres do cinema
Mulheres da vida
Mulheres das cartas
Mulheres no meu pensamento
Corpos inusitados
E os homens
Todos eles agrupados
Em fileiras mentais
Saindo de mim
Agindo em mim
Relacionando
Eu e elas
Rômulo Augusto 12/1993
Mulheres da vida
Mulheres das cartas
Mulheres no meu pensamento
Corpos inusitados
E os homens
Todos eles agrupados
Em fileiras mentais
Saindo de mim
Agindo em mim
Relacionando
Eu e elas
Rômulo Augusto 12/1993
sexta-feira, 7 de março de 2008
POLÍTICA CULTURALLei de incentivo está próxima
Audiência pública na manhã de ontem, na Câmara Legislativa, garantiu que a nova legislação será votada até o fim do mês. artistas aplaudem
Pedro Brandt Da Equipe do Correio
Gustavo Moreno/Especial para o CB
Artistas e políticos frente a frente na audiência de ontem: mais verbas e uma legislação abrangente
Algum desavisado poderia estranhar o ambiente do lado de fora da Câmara Legislativa na manhã de ontem. No estacionamento, um trio elétrico tocava música e, a poucos metros dali, um grupo de forró se apresentava em cima de um palco improvisado. Munido de megafone, um homem saudava as pessoas que chegavam de ônibus – segurando cartazes e faixas, muitas a caráter, vestidas de palhaço, cangaceiro, entre outras figuras da cultura popular. Dentro da Câmara, cerca de 150 pessoas acompanhavam a audiência pública cuja pauta debatia a Lei de Incentivo à Cultura. O clima era de celebração (dentro e fora do local) e não poderia ser diferente. Afinal, o assunto é do interesse dos produtores e artistas presentes no local. No final da audiência, muitos comemoravam o acordo entre governo e oposição que garantiu a votação da lei até o final do mês. O consenso entre os deputados Eurides Brito (PMDB), Cabo Patrício (PT) e Paulo Tadeu (PT ) garantiu a votação da lei nos próximos 20 dias. Além dos deputados mencionados, compuseram a bancada o consultor jurídico do GDF, Marcelo Galvão, o secretário de Cultura, Silvestre Gorgulho, o secretário adjunto de Cultura, Beto Sales, e ainda o representante do Fórum de Cultura, maestro Rênio Quintas. “Sinto que passamos hoje por um momento histórico”, desabafou o músico. O comentário do maestro não é exagero. Brasília ainda não tem uma lei específica para projetos culturais. Sobram para a comunidade artística a iniciativa privada e o Fundo da Arte e da Cultura (FAC), cujo orçamento varia de acordo com uma série de fatores. A aprovação da Lei de Incentivo à Cultura não significa o fim do FAC, mas, ao contrário deste, está desvinculada do desconto tributário concedido aos patrocinadores. A lei estará ligada diretamente à receita corrente líquida do GDF (R$ 9 bilhões) e contará com 0,3% de seu total. Será ligada à arrecadação e não aos tributos, ou seja, pode entrar em atividade imediatamente após sua aprovação, e não somente um ano depois, como no outro caso. Mais verbas Se antes os recursos estavam na casa dos R$ 4 milhões, com a lei passam para aproximadamente R$ 27 milhões. Do montante, R$ 11 milhões serão editalizados pelo FAC, o restante, destinado a concursos de projetos. Na avaliação de Beto Sales, a lei vai ao encontro de uma obrigação do governo. “A economia gerada pela cultura é maior que a gerada pela industria automobilística, por exemplo. Temos que defender a cultura, pois ela gera mais empregos”, argumentou o secretário adjunto. As reivindicações pela Lei de Incentivo à Cultura no Distrito Federal são antigas, mas só recentemente se deu um movimento mais eficaz rumo a sua concretização. As discussões entre as secretarias de Cultura e de Fazenda começaram ano passado. Silvestre Gorgulho e o deputado Alírio Neto, presidente da Câmara Legislativa, se encontraram em 13 de fevereiro para acelerar a tramitação do projeto de lei do executivo para o legislativo. “O FAC está definhando, precisamos com urgência dessa lei”, declarou o secretário de Cultura na manhã de ontem. O deputado Paulo Tadeu está confiante que a Câmara se empenhará em aprovar a lei. No entanto, ele prossegue, é preciso que algumas preocupações sejam resolvidas, como a regulamentação da emenda à Lei Orgânica com a definição das regras sobre a divisão e administração dos recursos, a criação de um conselho gestor para o fundo e a atualização da legislação do FAC. Para isso, foi criada a Frente Parlamentar Pró-Cultura e Identidade Cultural do Distrito Federal, destinada a apoiar o desenvolvimento de legislação, políticas e ações voltadas para a cultura no DF. “Brasília tem todas as condições para se tornar um grande celeiro cultural e, com isso, uma grande geradora de empregos”, acredita. Após a fala dos políticos e representantes do governo, foi a vez de os representantes dos fóruns de cultura colocarem suas reivindicações na mesa. Joana Henning, do fórum do circo, pede a criação da cadeira de circo, cultura popular e teatro de rua dentro da Secretaria de Cultura. Leonardo Hernandes, do fórum de teatro, reiterou a necessidade de a lei ser aprovada. “Olhem com carinho para essa lei, pois temos muita pressa”, pediu. Quem roubou a cena, no entanto, foi o palhaço Ankomárcio Saúde, integrante da dupla Irmãos Saúde. Quebrando todos os protocolos (“como eu sou palhaço, estou me sentindo muito bem nesta casa”), fez rir, mas também falou sério. “Sou um exemplo vivo do que a cultura pode fazer pelas pessoas. Em determinado momento da minha vida, tive que fazer uma escolha, e escolhi a arte. Caso contrário, talvez não estivesse aqui hoje para contar minha história”, desabafou
Pedro Brandt Da Equipe do Correio
Gustavo Moreno/Especial para o CB
Artistas e políticos frente a frente na audiência de ontem: mais verbas e uma legislação abrangente
Algum desavisado poderia estranhar o ambiente do lado de fora da Câmara Legislativa na manhã de ontem. No estacionamento, um trio elétrico tocava música e, a poucos metros dali, um grupo de forró se apresentava em cima de um palco improvisado. Munido de megafone, um homem saudava as pessoas que chegavam de ônibus – segurando cartazes e faixas, muitas a caráter, vestidas de palhaço, cangaceiro, entre outras figuras da cultura popular. Dentro da Câmara, cerca de 150 pessoas acompanhavam a audiência pública cuja pauta debatia a Lei de Incentivo à Cultura. O clima era de celebração (dentro e fora do local) e não poderia ser diferente. Afinal, o assunto é do interesse dos produtores e artistas presentes no local. No final da audiência, muitos comemoravam o acordo entre governo e oposição que garantiu a votação da lei até o final do mês. O consenso entre os deputados Eurides Brito (PMDB), Cabo Patrício (PT) e Paulo Tadeu (PT ) garantiu a votação da lei nos próximos 20 dias. Além dos deputados mencionados, compuseram a bancada o consultor jurídico do GDF, Marcelo Galvão, o secretário de Cultura, Silvestre Gorgulho, o secretário adjunto de Cultura, Beto Sales, e ainda o representante do Fórum de Cultura, maestro Rênio Quintas. “Sinto que passamos hoje por um momento histórico”, desabafou o músico. O comentário do maestro não é exagero. Brasília ainda não tem uma lei específica para projetos culturais. Sobram para a comunidade artística a iniciativa privada e o Fundo da Arte e da Cultura (FAC), cujo orçamento varia de acordo com uma série de fatores. A aprovação da Lei de Incentivo à Cultura não significa o fim do FAC, mas, ao contrário deste, está desvinculada do desconto tributário concedido aos patrocinadores. A lei estará ligada diretamente à receita corrente líquida do GDF (R$ 9 bilhões) e contará com 0,3% de seu total. Será ligada à arrecadação e não aos tributos, ou seja, pode entrar em atividade imediatamente após sua aprovação, e não somente um ano depois, como no outro caso. Mais verbas Se antes os recursos estavam na casa dos R$ 4 milhões, com a lei passam para aproximadamente R$ 27 milhões. Do montante, R$ 11 milhões serão editalizados pelo FAC, o restante, destinado a concursos de projetos. Na avaliação de Beto Sales, a lei vai ao encontro de uma obrigação do governo. “A economia gerada pela cultura é maior que a gerada pela industria automobilística, por exemplo. Temos que defender a cultura, pois ela gera mais empregos”, argumentou o secretário adjunto. As reivindicações pela Lei de Incentivo à Cultura no Distrito Federal são antigas, mas só recentemente se deu um movimento mais eficaz rumo a sua concretização. As discussões entre as secretarias de Cultura e de Fazenda começaram ano passado. Silvestre Gorgulho e o deputado Alírio Neto, presidente da Câmara Legislativa, se encontraram em 13 de fevereiro para acelerar a tramitação do projeto de lei do executivo para o legislativo. “O FAC está definhando, precisamos com urgência dessa lei”, declarou o secretário de Cultura na manhã de ontem. O deputado Paulo Tadeu está confiante que a Câmara se empenhará em aprovar a lei. No entanto, ele prossegue, é preciso que algumas preocupações sejam resolvidas, como a regulamentação da emenda à Lei Orgânica com a definição das regras sobre a divisão e administração dos recursos, a criação de um conselho gestor para o fundo e a atualização da legislação do FAC. Para isso, foi criada a Frente Parlamentar Pró-Cultura e Identidade Cultural do Distrito Federal, destinada a apoiar o desenvolvimento de legislação, políticas e ações voltadas para a cultura no DF. “Brasília tem todas as condições para se tornar um grande celeiro cultural e, com isso, uma grande geradora de empregos”, acredita. Após a fala dos políticos e representantes do governo, foi a vez de os representantes dos fóruns de cultura colocarem suas reivindicações na mesa. Joana Henning, do fórum do circo, pede a criação da cadeira de circo, cultura popular e teatro de rua dentro da Secretaria de Cultura. Leonardo Hernandes, do fórum de teatro, reiterou a necessidade de a lei ser aprovada. “Olhem com carinho para essa lei, pois temos muita pressa”, pediu. Quem roubou a cena, no entanto, foi o palhaço Ankomárcio Saúde, integrante da dupla Irmãos Saúde. Quebrando todos os protocolos (“como eu sou palhaço, estou me sentindo muito bem nesta casa”), fez rir, mas também falou sério. “Sou um exemplo vivo do que a cultura pode fazer pelas pessoas. Em determinado momento da minha vida, tive que fazer uma escolha, e escolhi a arte. Caso contrário, talvez não estivesse aqui hoje para contar minha história”, desabafou
POLÍTICA CULTURALLei de incentivo está próxima
Audiência pública na manhã de ontem, na Câmara Legislativa, garantiu que a nova legislação será votada até o fim do mês. artistas aplaudem
Pedro Brandt Da Equipe do Correio
Gustavo Moreno/Especial para o CB
Artistas e políticos frente a frente na audiência de ontem: mais verbas e uma legislação abrangente
Algum desavisado poderia estranhar o ambiente do lado de fora da Câmara Legislativa na manhã de ontem. No estacionamento, um trio elétrico tocava música e, a poucos metros dali, um grupo de forró se apresentava em cima de um palco improvisado. Munido de megafone, um homem saudava as pessoas que chegavam de ônibus – segurando cartazes e faixas, muitas a caráter, vestidas de palhaço, cangaceiro, entre outras figuras da cultura popular. Dentro da Câmara, cerca de 150 pessoas acompanhavam a audiência pública cuja pauta debatia a Lei de Incentivo à Cultura. O clima era de celebração (dentro e fora do local) e não poderia ser diferente. Afinal, o assunto é do interesse dos produtores e artistas presentes no local. No final da audiência, muitos comemoravam o acordo entre governo e oposição que garantiu a votação da lei até o final do mês. O consenso entre os deputados Eurides Brito (PMDB), Cabo Patrício (PT) e Paulo Tadeu (PT ) garantiu a votação da lei nos próximos 20 dias. Além dos deputados mencionados, compuseram a bancada o consultor jurídico do GDF, Marcelo Galvão, o secretário de Cultura, Silvestre Gorgulho, o secretário adjunto de Cultura, Beto Sales, e ainda o representante do Fórum de Cultura, maestro Rênio Quintas. “Sinto que passamos hoje por um momento histórico”, desabafou o músico. O comentário do maestro não é exagero. Brasília ainda não tem uma lei específica para projetos culturais. Sobram para a comunidade artística a iniciativa privada e o Fundo da Arte e da Cultura (FAC), cujo orçamento varia de acordo com uma série de fatores. A aprovação da Lei de Incentivo à Cultura não significa o fim do FAC, mas, ao contrário deste, está desvinculada do desconto tributário concedido aos patrocinadores. A lei estará ligada diretamente à receita corrente líquida do GDF (R$ 9 bilhões) e contará com 0,3% de seu total. Será ligada à arrecadação e não aos tributos, ou seja, pode entrar em atividade imediatamente após sua aprovação, e não somente um ano depois, como no outro caso. Mais verbas Se antes os recursos estavam na casa dos R$ 4 milhões, com a lei passam para aproximadamente R$ 27 milhões. Do montante, R$ 11 milhões serão editalizados pelo FAC, o restante, destinado a concursos de projetos. Na avaliação de Beto Sales, a lei vai ao encontro de uma obrigação do governo. “A economia gerada pela cultura é maior que a gerada pela industria automobilística, por exemplo. Temos que defender a cultura, pois ela gera mais empregos”, argumentou o secretário adjunto. As reivindicações pela Lei de Incentivo à Cultura no Distrito Federal são antigas, mas só recentemente se deu um movimento mais eficaz rumo a sua concretização. As discussões entre as secretarias de Cultura e de Fazenda começaram ano passado. Silvestre Gorgulho e o deputado Alírio Neto, presidente da Câmara Legislativa, se encontraram em 13 de fevereiro para acelerar a tramitação do projeto de lei do executivo para o legislativo. “O FAC está definhando, precisamos com urgência dessa lei”, declarou o secretário de Cultura na manhã de ontem. O deputado Paulo Tadeu está confiante que a Câmara se empenhará em aprovar a lei. No entanto, ele prossegue, é preciso que algumas preocupações sejam resolvidas, como a regulamentação da emenda à Lei Orgânica com a definição das regras sobre a divisão e administração dos recursos, a criação de um conselho gestor para o fundo e a atualização da legislação do FAC. Para isso, foi criada a Frente Parlamentar Pró-Cultura e Identidade Cultural do Distrito Federal, destinada a apoiar o desenvolvimento de legislação, políticas e ações voltadas para a cultura no DF. “Brasília tem todas as condições para se tornar um grande celeiro cultural e, com isso, uma grande geradora de empregos”, acredita. Após a fala dos políticos e representantes do governo, foi a vez de os representantes dos fóruns de cultura colocarem suas reivindicações na mesa. Joana Henning, do fórum do circo, pede a criação da cadeira de circo, cultura popular e teatro de rua dentro da Secretaria de Cultura. Leonardo Hernandes, do fórum de teatro, reiterou a necessidade de a lei ser aprovada. “Olhem com carinho para essa lei, pois temos muita pressa”, pediu. Quem roubou a cena, no entanto, foi o palhaço Ankomárcio Saúde, integrante da dupla Irmãos Saúde. Quebrando todos os protocolos (“como eu sou palhaço, estou me sentindo muito bem nesta casa”), fez rir, mas também falou sério. “Sou um exemplo vivo do que a cultura pode fazer pelas pessoas. Em determinado momento da minha vida, tive que fazer uma escolha, e escolhi a arte. Caso contrário, talvez não estivesse aqui hoje para contar minha história”, desabafou
Pedro Brandt Da Equipe do Correio
Gustavo Moreno/Especial para o CB
Artistas e políticos frente a frente na audiência de ontem: mais verbas e uma legislação abrangente
Algum desavisado poderia estranhar o ambiente do lado de fora da Câmara Legislativa na manhã de ontem. No estacionamento, um trio elétrico tocava música e, a poucos metros dali, um grupo de forró se apresentava em cima de um palco improvisado. Munido de megafone, um homem saudava as pessoas que chegavam de ônibus – segurando cartazes e faixas, muitas a caráter, vestidas de palhaço, cangaceiro, entre outras figuras da cultura popular. Dentro da Câmara, cerca de 150 pessoas acompanhavam a audiência pública cuja pauta debatia a Lei de Incentivo à Cultura. O clima era de celebração (dentro e fora do local) e não poderia ser diferente. Afinal, o assunto é do interesse dos produtores e artistas presentes no local. No final da audiência, muitos comemoravam o acordo entre governo e oposição que garantiu a votação da lei até o final do mês. O consenso entre os deputados Eurides Brito (PMDB), Cabo Patrício (PT) e Paulo Tadeu (PT ) garantiu a votação da lei nos próximos 20 dias. Além dos deputados mencionados, compuseram a bancada o consultor jurídico do GDF, Marcelo Galvão, o secretário de Cultura, Silvestre Gorgulho, o secretário adjunto de Cultura, Beto Sales, e ainda o representante do Fórum de Cultura, maestro Rênio Quintas. “Sinto que passamos hoje por um momento histórico”, desabafou o músico. O comentário do maestro não é exagero. Brasília ainda não tem uma lei específica para projetos culturais. Sobram para a comunidade artística a iniciativa privada e o Fundo da Arte e da Cultura (FAC), cujo orçamento varia de acordo com uma série de fatores. A aprovação da Lei de Incentivo à Cultura não significa o fim do FAC, mas, ao contrário deste, está desvinculada do desconto tributário concedido aos patrocinadores. A lei estará ligada diretamente à receita corrente líquida do GDF (R$ 9 bilhões) e contará com 0,3% de seu total. Será ligada à arrecadação e não aos tributos, ou seja, pode entrar em atividade imediatamente após sua aprovação, e não somente um ano depois, como no outro caso. Mais verbas Se antes os recursos estavam na casa dos R$ 4 milhões, com a lei passam para aproximadamente R$ 27 milhões. Do montante, R$ 11 milhões serão editalizados pelo FAC, o restante, destinado a concursos de projetos. Na avaliação de Beto Sales, a lei vai ao encontro de uma obrigação do governo. “A economia gerada pela cultura é maior que a gerada pela industria automobilística, por exemplo. Temos que defender a cultura, pois ela gera mais empregos”, argumentou o secretário adjunto. As reivindicações pela Lei de Incentivo à Cultura no Distrito Federal são antigas, mas só recentemente se deu um movimento mais eficaz rumo a sua concretização. As discussões entre as secretarias de Cultura e de Fazenda começaram ano passado. Silvestre Gorgulho e o deputado Alírio Neto, presidente da Câmara Legislativa, se encontraram em 13 de fevereiro para acelerar a tramitação do projeto de lei do executivo para o legislativo. “O FAC está definhando, precisamos com urgência dessa lei”, declarou o secretário de Cultura na manhã de ontem. O deputado Paulo Tadeu está confiante que a Câmara se empenhará em aprovar a lei. No entanto, ele prossegue, é preciso que algumas preocupações sejam resolvidas, como a regulamentação da emenda à Lei Orgânica com a definição das regras sobre a divisão e administração dos recursos, a criação de um conselho gestor para o fundo e a atualização da legislação do FAC. Para isso, foi criada a Frente Parlamentar Pró-Cultura e Identidade Cultural do Distrito Federal, destinada a apoiar o desenvolvimento de legislação, políticas e ações voltadas para a cultura no DF. “Brasília tem todas as condições para se tornar um grande celeiro cultural e, com isso, uma grande geradora de empregos”, acredita. Após a fala dos políticos e representantes do governo, foi a vez de os representantes dos fóruns de cultura colocarem suas reivindicações na mesa. Joana Henning, do fórum do circo, pede a criação da cadeira de circo, cultura popular e teatro de rua dentro da Secretaria de Cultura. Leonardo Hernandes, do fórum de teatro, reiterou a necessidade de a lei ser aprovada. “Olhem com carinho para essa lei, pois temos muita pressa”, pediu. Quem roubou a cena, no entanto, foi o palhaço Ankomárcio Saúde, integrante da dupla Irmãos Saúde. Quebrando todos os protocolos (“como eu sou palhaço, estou me sentindo muito bem nesta casa”), fez rir, mas também falou sério. “Sou um exemplo vivo do que a cultura pode fazer pelas pessoas. Em determinado momento da minha vida, tive que fazer uma escolha, e escolhi a arte. Caso contrário, talvez não estivesse aqui hoje para contar minha história”, desabafou
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